Na penumbra tento lembrar-me do teu rosto... Tentativa falhada, eu não consigo lembrar-me dos teus traços nem dos teus contornos. Era simples, amor... Era mesmo simples... às vezes basta tão pouco para fazer uma mulher feliz... Sorrio com esta frase. Sinto sempre que sou carente em relação às outras pessoas, pois preciso de amor, de alguém que me mova, que me ame. Eras esse amor que, estranhamente, se foi. Tenho sonhado todos os dias contigo, nesses sonhos estamos sempre bem, eu não me sinto mal à tua beira e tu beijas-me como se nunca tivesse existido outra. No entanto, quando acordo, o que parecia real não o é e o que parecia bom em sonhos se realidade fosse não era tão bom, evado-me... O tempo não volta atrás para trazer sentimentos, nem eu volto mais atrás. Ainda me lembro bastante de ti, mas uma vez eu também parti o braço e pensei que nunca me ia curar... e curei. Sê feliz, eu estou a fazer o meu melhor.


Ontem escrevi um livro para ti
Disseste-me:
Não me disseste nada...
E eu adormeci a pensar em ti
E em todas as flores que eram nossas

Ás vezes só precisamos de ser ouvidos e é tão triste quando não o somos...
Tenho pena de não conseguir amar-te mais. Depois de tantos anos e tantas felicidades que me pudeste dar, eu já não te amo, com toda a certeza. Tenho pena da pessoa que foste para mim, pena de me teres mentido, pena de me teres enganado, pena de eu ter percebido e não ter acabado com tudo de uma vez! Mas o amor... Ah, o amor! O amor que eu senti em tempos conseguia às vezes senti-lo por momentos, de novo. Mas já não era amor... a culpada fui eu em teimar em algo que já não existia há muito. A culpada fui eu... Queria poder dizer-te "Adeus" para sempre, mas eu não te amo mais, não sinto vontade de to dizer. Prefiro dizê-lo na minha cabeça. Se não tivesses sido a maior desilusão da minha vida... Ainda hoje te amaria como há 4 anos, como da primeira vez e terias alguém a esperar por ti toda a vida, a esperar pelos filhos que tu nunca virias fazer, a esperar por tudo o que te tinha para contar... Não te amo mais.
Hoje, mais do que em outros dias, sinto-me incapaz. Sinto-me incapaz de correr nos campos, de me baloiçar ao ritmo do vento, de beijar com vontade e escrever fluentemente. Vontade... Hoje não tenho vontade de nada. O sedentarismo é uma coisa arriscada, no entanto, hoje não se trata do sedentarismo nem do ócio, trata-se de eu me sentir incapaz. Sinto-me incapaz em duas partes. Da primeira parte faz parte, exclusivamente, o estado em que a minha cabeça se encontra. É estonteante, chega a ser exaustivo para  mim. A segunda parte não existe, fui eu que inventei porque, inicialmente pensei que encontraria uma segunda parte tendo eu uma primeira, enganei-me. Cometemos enganos ao longo da vida, mas não divaguemos. Para que alguém, algures por aí, sentado no seu sofá, a beber chá da sua xícara requintada e antiquada para o seu tempo (mas bela) me consiga entender eu vou dar um exemplo. Hoje eu estou numa corrida e não consigo correr, se consigo correr não consigo alcançar o que vai em penúltimo, não consigo resistir à minha condição física, não consigo superar limites, quero quero quero e não consigo. O corpo não me deixa, estou enjaulada. Sinto-me assim, hoje.
Quem olha para mim pensa que estou sempre feliz ou sempre carrancuda, pensa que sou diferente ou um tanto que quero ser, quem olha para mim pensa nas opiniões formadas, pensa no que disseram acerca do assunto, quem olha para mim pensa que nunca sofri por amor, quem olha para mim não sabe se chorei à noite enquanto chovia, não sabe se fui à varanda lamentar um amor perdido, quem olha para mim não sabe que escondo segredos.
Tenho saudades dos tempos em que nos deitávamos a ver as estrelas, tenho saudades daquele Outono nosso, onde eu abraçava o teu abraço.