Envelheceria com ele, veria cada ruga em si como uma marca de felicidade deixada por mim, feita por mim e pelo meu péssimo sentido de humor, veria nele tudo para além do que a mãe e o pai veriam e o tempo pararia em cada olhar seu. Faria dele uma pessoa melhor e ensina-lo-ia a amar melhor. Ajudá-lo-ia com o seu hobbie preferido e quando a velhice e o cansaço não lho permitisse exercer choraria com ele, como se a perda também fosse minha e, na verdade, seria, dar-lhe-ia dois ombros e dois lenços de papel ficando sem nenhum para mim e eu, estaria pior do que ele, envolvida no seu sofrimento.O amor sempre foi assim, desde os tempos mais remotos, a lei do mais forte, uma possibilidade, uma condição. Não envelhecerei com ele, mas verei alguém a fazê-lo por mim, não chorarei com ele nem estarei com ele nos momentos mais difíceis, verei alguém dar o ombro e o lenço por mim, no entanto, só terá um ombro e um só lenço. Se verei também não sei, não estou certa quanto a isso porque morrerei a cada dia, de saudade, de aflição, de 'ataque cardíaco'
