Nostalgia

Terráqueos...
E é sempre esta nostalgia, este viver por metade. Não sei se aguento muito mais tempo, não sei sequer se consigo habitar num corpo! Cuidar de um corpo é difícil, exige muito de mim. Deram-mo sem eu pedir, deram-me por entrega, não sei se foi dádiva de Deus ou desgraça do Diabo, sei pois que mo foi dado e que devo cuidar dele até ao seu falecimento. Devo cuidar da pele, devo usar cremes caros, devo pôr perfume no pulso, devo escovar o cabelo, devo ir à manicura, não devo deixar desfalecer. Quem mo deu? Quem foi? Qual a razão de mo darem? Ai desgraçada vida! Como hei-de eu cuidar de mim? Como hei-de saber se faço as coisas corretamente? Nostalgia de viver. Condição humana. Vida. Deparo-me com tudo isto, todos os dias, jamais alguém entenderá o verdadeiro significado da vida, jamais alguém se conhecerá. Que vida, que vida! Se pelo menos eu recebesse uma mensagem do além, algo que me dissesse o que fazer, o caminho a seguir, com todas as indicações, todos os sentidos, direções. Não sei viver melancólica, não é um hábito com o qual me queira habituar. Não quero ser possuída de compaixão, não me quero dar ás inclinações sensíveis, ás tragédias das paixões. Quero viver por mim, sem monotonia tal que me faça não querer viver um outro dia igual, porque confesso que para mim a vida não passa de um dia. Falo-vos desse dia, uma mistura tal que por ser mistura se torna monótona. Vá, deixem-me viver com a cabeça, deixem-me tomar decisões fixas e definitivas, deixem que me torne em cinza, para mais tarde renascer como se houvesse um amanhã, um doce amanhã cheio de desventuras aí eu vaguearia de cabelo ao vento, com uma flor na mão, num campo cheio de erva, com uma árvore bem no seu meio.

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